sexta-feira, maio 30, 2014
sexta-feira, maio 02, 2014
Prejudice
It's in the color of your skin and in the length of your skirt.
It's in the money you make and in how you spend it.
It's in the doctor you see and in the drugs you take.
It's in the country you're from and in the people you love.
It's in the god you choose and in the one you don't.
It's in their eyes and in your own.
It's in your mind and nowhere else.
It's in the money you make and in how you spend it.
It's in the doctor you see and in the drugs you take.
It's in the country you're from and in the people you love.
It's in the god you choose and in the one you don't.
It's in their eyes and in your own.
It's in your mind and nowhere else.
"We should therefore claim, in the name of tolerance, the right not to tolerate the intolerant." - Karl Popper
domingo, dezembro 01, 2013
A Crise e o Peter Pan
Os desenhos animados bem avisavam que andavam aí vilões a querer roubar o Natal.
domingo, julho 21, 2013
domingo, junho 30, 2013
sábado, junho 29, 2013
Paris
Fala-se tanto de Paris, eu nunca adorei Paris. Talvez não tenha sido suficientemente feliz das vezes que lá estive. Da primeira deram-me uma casinha de polly pockets e cortaram-me o cabelo. Da segunda preferia ter ficado em casa e ido sair com os meus amigos, em vez de ser uma menina bem comportada e jogar jogos de palavras no carro durante horas intermináveis com os pais e um miúdo pequeno. E sem telemóvel.
A casa do meu avô era pequenina, escura, tinha uma cabine de duche funda como uma banheira e a sala tinha uma janela que dava para a entrada do prédio, para controlar quem entrava e saía. Nós dormimos no sótão do prédio, numas arrecadações ou coisa parecida que faziam de quartos para alugar a imigrantes. Era escuro e metia medo. Num dia fomos à Disneyland, outro à torre Eiffel, e num deles fomos a casa de uma senhora que devia ser da família, usava imenso perfume e nos ofereceu chá demasiado doce em chávenas brancas e douradas. Era simpática, falava muito e chamava chérie a toda a gente.
Lembro-me sempre de pensar onde andavam escondidos os parisienses todos, porque só via pessoas sem ar de serem de lá.
E dos prédios serem baixos e as ruas cinzentas claras, com muitas àrvores e muitos cães. Aliás foi por isso que me lembrei. Vi uma fotografia de Paris, que não era da torre Eiffel, nem das galerias Lafayette, nem dos Champs Élysées; era de uma rua normal, com prédios baixos e pedras cinzentas e àrvores. E de repente cheirou-me a Paris. À casa e ao rio e a algodão doce e ao perfume da senhora e acima de tudo àquele cheiro próprio que cada cidade tem e de que eu já não me lembrava.
sexta-feira, junho 28, 2013
Calor
Na última semana de Junho de 1994 estava um calor abrasador, com noites como a de hoje.
Estou deitada no chão da sala, de janelas e portas abertas e parece-me que nunca estive mais confortável, com o calor a envolver-me e a brisa a correr entre janelas por cima de mim. Foi exactamente assim que dormimos nessa semana, no chão da sala por baixo da ventoinha de tecto, de janelas abertas, com o zum zum de uma mota na avenida de vez em quando. Excepção feita, claro está, à minha mãe que, adepta de colchões dignos desse nome e muito grávida, acabou sempre por ser a única a dormir na própria cama.
Em 1994 a Olá tinha gelados de iced tea lipton, a TVI passava desenhos animados bíblicos em vez da Casa dos Segredos e o Farense não só ainda pertencia à 1ª divisão como se qualificou para a taça UEFA. A internet era uma espécie de rede de partilha de documentos altamente obscura só para cientistas, o criador do Facebook ainda brincava com carrinhos e ninguém imaginava que vinha aí uma crise.
Não sei onde vamos estar daqui a outros 19 anos, mas desde que não seja na mesma acho que não me importo. A propósito, parabéns.
Estou deitada no chão da sala, de janelas e portas abertas e parece-me que nunca estive mais confortável, com o calor a envolver-me e a brisa a correr entre janelas por cima de mim. Foi exactamente assim que dormimos nessa semana, no chão da sala por baixo da ventoinha de tecto, de janelas abertas, com o zum zum de uma mota na avenida de vez em quando. Excepção feita, claro está, à minha mãe que, adepta de colchões dignos desse nome e muito grávida, acabou sempre por ser a única a dormir na própria cama.
Em 1994 a Olá tinha gelados de iced tea lipton, a TVI passava desenhos animados bíblicos em vez da Casa dos Segredos e o Farense não só ainda pertencia à 1ª divisão como se qualificou para a taça UEFA. A internet era uma espécie de rede de partilha de documentos altamente obscura só para cientistas, o criador do Facebook ainda brincava com carrinhos e ninguém imaginava que vinha aí uma crise.
Não sei onde vamos estar daqui a outros 19 anos, mas desde que não seja na mesma acho que não me importo. A propósito, parabéns.
segunda-feira, maio 06, 2013
Filosofia suína
Há coisas que te mudam, que te torcem, que te matam. Ficas velho e nunca te esqueces. Ou será por nunca te esqueceres que ficas velho? Bem, ficas velho. Precisas de... sei lá. De um anti-rugas para a alma. Ainda não se fazem plásticas dessas? Gostava tanto de voltar a nascer, de nunca ter sido danificada por nada. De não achar que mereço tudo o que me foi acontecendo. Costuma-se dizer que se deixaste, mereceste. A sério? O porco de onde veio a bifana que comi ao almoço mereceu? Qual era a alternativa do porco? Fazer bifanas de talhante? Se o fizesse deixava de ser abatido por ser nutritivo e passava a ser abatido por ser perigoso. Conclusão, o porco nasceu porco, e daí ia sempre foder-se, não havia nada que pudesse fazer para o evitar.
Há dias em que só digo porcarias.
Há dias em que só digo porcarias.
quarta-feira, junho 20, 2012
Uma mulher nunca pergunta o caminho
Gostava de escrever sempre coisas bonitas e relevantes, mas isso exige um estado de espírito muito particular, e eu hoje não estou aqui.
Gostava de estar sempre comigo, mas hoje não estou.
Gostava de ir para casa, mas hoje não sei onde fica.
Podia escrever outra coisa bonita cheia de metáforas sobre protozoários e tecidos fibrosados (assim), mas hoje não me apetece. Hoje não dá. Hoje não quero. Hoje não sei de nada. Hoje só quero ir para casa.
O problema dos nómadas é esse, as raízes levantam-se-lhes com muita facilidade, as tendas voam e os camelos fogem. Quero ir para casa. E que esteja sol, e que não haja malária.
Hoje não estou aqui, não vale a pena baterem à porta que não estou aqui. Ou então batam na mesma, e se eu abrir, agarrem-me e não me deixem fugir, que eu tenho umas contas a acertar comigo.
Gostava de estar sempre comigo, mas hoje não estou.
Gostava de ir para casa, mas hoje não sei onde fica.
Podia escrever outra coisa bonita cheia de metáforas sobre protozoários e tecidos fibrosados (assim), mas hoje não me apetece. Hoje não dá. Hoje não quero. Hoje não sei de nada. Hoje só quero ir para casa.
O problema dos nómadas é esse, as raízes levantam-se-lhes com muita facilidade, as tendas voam e os camelos fogem. Quero ir para casa. E que esteja sol, e que não haja malária.
Hoje não estou aqui, não vale a pena baterem à porta que não estou aqui. Ou então batam na mesma, e se eu abrir, agarrem-me e não me deixem fugir, que eu tenho umas contas a acertar comigo.
quarta-feira, junho 13, 2012
Os nomes das coisas
Comunicação.
Quando se fala em comunicação pensamos em escrever, em falar, em discussões por falta de comunicação, em comunicação social, e se tivermos imaginação ainda pensamos em comunicação gestual, braile e várias línguas, reflectimos que em todas as culturas humanas existe comunicação.
Sim senhor, mas quem disse que a comunicação tem que ser entre mais que uma pessoa? No liceu, em Filosofia, aprendia-se que a capacidade de ter pensamentos e reacções mediatas é o que nos distingue dos outros animais, e que esta capacidade vem do facto de termos conceitos. Como temos conceitos (linguagem), podemos formar pensamentos e raciocínios e desta forma compreender coisas por nós próprios. Então pensar é como que comunicar sozinhos utilizando conceitos pré-adquiridos. Por outro lado é-nos muito complicado compreender um raciocínio quando nos falta um dos conceitos envolvidos. Agora imaginemos que não sabemos sequer que existe linguagem. Imaginemos que somos surdos e cegos de nascença. Imaginemos o caos da nossa própria mente e a incompreensão em relação às regras e vidas dos outros. Imaginemos o caos. E agora imaginemos que eventualmente alguém nos consegue fazer compreender a linguagem, e de repente, formando conceitos sabemos onde estamos, onde estivemos ontem, o que temos nas mãos e o que pensamos disso tudo. Uma parte muito grande da psicologia foca-se nisto, porque como seria possível compreender o mundo e a nós próprios sem saber os nomes das coisas?
"w-a-t-e-r. It has a name!" - The Miracle Worker
Quando se fala em comunicação pensamos em escrever, em falar, em discussões por falta de comunicação, em comunicação social, e se tivermos imaginação ainda pensamos em comunicação gestual, braile e várias línguas, reflectimos que em todas as culturas humanas existe comunicação.
Sim senhor, mas quem disse que a comunicação tem que ser entre mais que uma pessoa? No liceu, em Filosofia, aprendia-se que a capacidade de ter pensamentos e reacções mediatas é o que nos distingue dos outros animais, e que esta capacidade vem do facto de termos conceitos. Como temos conceitos (linguagem), podemos formar pensamentos e raciocínios e desta forma compreender coisas por nós próprios. Então pensar é como que comunicar sozinhos utilizando conceitos pré-adquiridos. Por outro lado é-nos muito complicado compreender um raciocínio quando nos falta um dos conceitos envolvidos. Agora imaginemos que não sabemos sequer que existe linguagem. Imaginemos que somos surdos e cegos de nascença. Imaginemos o caos da nossa própria mente e a incompreensão em relação às regras e vidas dos outros. Imaginemos o caos. E agora imaginemos que eventualmente alguém nos consegue fazer compreender a linguagem, e de repente, formando conceitos sabemos onde estamos, onde estivemos ontem, o que temos nas mãos e o que pensamos disso tudo. Uma parte muito grande da psicologia foca-se nisto, porque como seria possível compreender o mundo e a nós próprios sem saber os nomes das coisas?
"w-a-t-e-r. It has a name!" - The Miracle Worker
Glass
"Ma petite Amélie, vous n'avez pas des os en verre. Vous pouvez vous cogner à la vraie vie. Si vous laissez passer cette chance, alors avec le temps, c'est votre coeur qui va devenir aussi sec et cassant que mon squelette. Alors, allez-y, nom d'un chien!" - l'homme de verre - Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain
Glasses
Costumam perguntar-me se nunca me canso de metáforas. Não, nunca. O problema é quando elas se cansam de mim. Precisava de umas lentes de metáfora cor-de-rosa (ou de outra cor qualquer) pelas quais ler este capítulo, mas não as encontro. Na verdade até era melhor que fossem escuras, a verdade às vezes queima, faz arder os olhos. Eu tenho uns olhos muito sensíveis.
Diz-se que a verdade (ou era a beleza?) está nos olhos de quêm vê. O que é que acontece se "quem vê" mudar de óculos? A verdade muda? A verdade não muda. As nossas verdades é que mudam, e a verdade é que isso é muito mais relevante do que A verdade. É pena que eu não tenha mudado de óculos também... se calhar está na altura de fazer Lasik.
I am what you see when I think you're not looking.
Diz-se que a verdade (ou era a beleza?) está nos olhos de quêm vê. O que é que acontece se "quem vê" mudar de óculos? A verdade muda? A verdade não muda. As nossas verdades é que mudam, e a verdade é que isso é muito mais relevante do que A verdade. É pena que eu não tenha mudado de óculos também... se calhar está na altura de fazer Lasik.
I am what you see when I think you're not looking.
sábado, abril 14, 2012
terça-feira, novembro 23, 2010
Nómada
Há os que queriam vir e nunca vieram, há os que vieram mas continuaram lá, e há os que vieram e acabaram por ficar. Eu, como sempre, não me enquadro em nenhuma das categorias pré-definidas. Poder-se-ia dizer que me enquadro numa categoria de outra natureza, dos que se acham demasiado novos para saber o que querem, mas também não é exactamente isso. Vou explicar. Eu tenho uma casa portátil. E moro onde calha, mas moro sempre na minha casa. Moro onde ela estiver e ela vai onde eu for. De resto, neste momento já me desmamei q.b. do sul e ainda não me apaixonei o suficiente pelo centro nem por outra alternativa. Portanto, para já, moro onde calhar e já não é mau, desde que seja em casa.
terça-feira, novembro 02, 2010
quinta-feira, outubro 28, 2010
Are we there yet?
No, not yet.
And now?
Nope, still here.
Are we at least moving?
Yup, but we got lost a few times, that's why its being slow.
Oh.
Hey, look, we just passed the 10 mile mark.
How much left?
50 miles...
Bah, still not moving.
Do they have any idea how hard it is to walk 10 miles?!
And now?
Nope, still here.
Are we at least moving?
Yup, but we got lost a few times, that's why its being slow.
Oh.
Hey, look, we just passed the 10 mile mark.
How much left?
50 miles...
Bah, still not moving.
Do they have any idea how hard it is to walk 10 miles?!
domingo, fevereiro 28, 2010
Get back inside the box!
Andava na primária. Vamos fazer um jogo, diz a professora. O "jogo" consistia em imaginarmos que tinham passado 20 anos, íamos na Rua de Sto. António (equivalente farense à Rua Augusta), e por coincidência nos cruzavamos com ela. Um a um, a professora "encontra" os antigos alunos e a pergunta repete-se: então, o que é que fazes agora? Médica, professora, engenheiro, veterinária, enfermeira... todas as profissões que eu conhecia repetidas por, pelo menos, 3 pessoas diferentes. Eu fiquei para o fim. Ah, tenho uma lojinha ali ao fundo (afinal, se fossemos todos médicos, não haveria emprego para todos, não é?)
O esgar, o riso, a pergunta. Ai é? Só isso? Não querias mais?
A minha Barbie era morena.
O esgar, o riso, a pergunta. Ai é? Só isso? Não querias mais?
A minha Barbie era morena.
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Peixinhos às voltas num aquário - revisited
Boa tarde, era um bilhete para o mundo onde só conhecemos um lado de cada história. Só têm até aos 12 anos? Ah... obrigada na mesma.
terça-feira, dezembro 29, 2009
Natal no país das Batatas
No país das batatas os gatos reproduzem-se na parte de trás das casas e escondem-se nas pedras dos muros das quintas. Por qualquer motivo que me transcende, são quase todos brancos.
No país das batatas, o almoço é ao meio-dia, e é cozinhado todo no mesmo tacho. As batatas são do quintal, o azeite é do lagar do sr. qualquer-coisa, o vinho "deixa cá ver como ficou este ano" e o queijo é do intermarché.
Os veterinários servem para vacinar vacas, médicos só indo à cidade.
Dá jeito saber ler para o banco não nos enganar e para ver as legendas da televisão.
No país das batatas não há cá éticas nem estéticas.
As batatas nascem da terra e as galinhas metem-se na canja e são bem boas.
Não estou a desdenhar desses sítios, mas eles desdenham de mim.
Eu só sei tocar piano e falar francês.
No país das batatas, o almoço é ao meio-dia, e é cozinhado todo no mesmo tacho. As batatas são do quintal, o azeite é do lagar do sr. qualquer-coisa, o vinho "deixa cá ver como ficou este ano" e o queijo é do intermarché.
Os veterinários servem para vacinar vacas, médicos só indo à cidade.
Dá jeito saber ler para o banco não nos enganar e para ver as legendas da televisão.
No país das batatas não há cá éticas nem estéticas.
As batatas nascem da terra e as galinhas metem-se na canja e são bem boas.
Não estou a desdenhar desses sítios, mas eles desdenham de mim.
Eu só sei tocar piano e falar francês.
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