domingo, julho 21, 2013

When am I ever going to going to grow up (or down) to be able to act the age I actually am?

sábado, junho 29, 2013

Paris

Fala-se tanto de Paris, eu nunca adorei Paris. Talvez não tenha sido suficientemente feliz das vezes que lá estive. Da primeira deram-me uma casinha de polly pockets e cortaram-me o cabelo. Da segunda preferia ter ficado em casa e ido sair com os meus amigos, em vez de ser uma menina bem comportada e jogar jogos de palavras no carro durante horas intermináveis com os pais e um miúdo pequeno. E sem telemóvel.

A casa do meu avô era pequenina, escura, tinha uma cabine de duche funda como uma banheira e a sala tinha uma janela que dava para a entrada do prédio, para controlar quem entrava e saía. Nós dormimos no sótão do prédio, numas arrecadações ou coisa parecida que faziam de quartos para alugar a imigrantes. Era escuro e metia medo. Num dia fomos à Disneyland, outro à torre Eiffel, e num deles fomos a casa de uma senhora que devia ser da família, usava imenso perfume e nos ofereceu chá demasiado doce em chávenas brancas e douradas. Era simpática, falava muito e chamava chérie a toda a gente. 

Lembro-me sempre de pensar onde andavam escondidos os parisienses todos, porque só via pessoas sem ar de serem de lá.
E dos prédios serem baixos e as ruas cinzentas claras, com muitas àrvores e muitos cães. Aliás foi por isso que me lembrei. Vi uma fotografia de Paris, que não era da torre Eiffel, nem das galerias Lafayette, nem dos Champs Élysées; era de uma rua normal, com prédios baixos e pedras cinzentas e àrvores. E de repente cheirou-me a Paris. À casa e ao rio e a algodão doce e ao perfume da senhora e acima de tudo àquele cheiro próprio que cada cidade tem e de que eu já não me lembrava. 

sexta-feira, junho 28, 2013

the iguana will bite those who do not dream


- in Waking Life

Calor

Na última semana de Junho de 1994 estava um calor abrasador, com noites como a de hoje.

Estou deitada no chão da sala, de janelas e portas abertas e parece-me que nunca estive mais confortável, com o calor a envolver-me e a brisa a correr entre janelas por cima de mim. Foi exactamente assim que dormimos nessa semana, no chão da sala por baixo da ventoinha de tecto, de janelas abertas, com o zum zum de uma mota na avenida de vez em quando. Excepção feita, claro está, à minha mãe que, adepta de colchões dignos desse nome e muito grávida, acabou sempre por ser a única a dormir na própria cama.

Em 1994 a Olá tinha gelados de iced tea lipton, a TVI passava desenhos animados bíblicos em vez da Casa dos Segredos e o Farense não só ainda pertencia à 1ª divisão como se qualificou para a taça UEFA. A internet era uma espécie de rede de partilha de documentos altamente obscura só para cientistas, o criador do Facebook ainda brincava com carrinhos e ninguém imaginava que vinha aí uma crise.

Não sei onde vamos estar daqui a outros 19 anos, mas desde que não seja na mesma acho que não me importo. A propósito, parabéns.

segunda-feira, maio 06, 2013

Filosofia suína

Há coisas que te mudam, que te torcem, que te matam. Ficas velho e nunca te esqueces. Ou será por nunca te esqueceres que ficas velho? Bem, ficas velho. Precisas de... sei lá. De um anti-rugas para a alma. Ainda não se fazem plásticas dessas? Gostava tanto de voltar a nascer, de nunca ter sido danificada por nada. De não achar que mereço tudo o que me foi acontecendo. Costuma-se dizer que se deixaste, mereceste. A sério? O porco de onde veio a bifana que comi ao almoço mereceu? Qual era a alternativa do porco? Fazer bifanas de talhante? Se o fizesse deixava de ser abatido por ser nutritivo e passava a ser abatido por ser perigoso. Conclusão, o porco nasceu porco, e daí ia sempre foder-se, não havia nada que pudesse fazer para o evitar.


Há dias em que só digo porcarias.

quarta-feira, junho 20, 2012

Uma mulher nunca pergunta o caminho

Gostava de escrever sempre coisas bonitas e relevantes, mas isso exige um estado de espírito muito particular, e eu hoje não estou aqui.
Gostava de estar sempre comigo, mas hoje não estou.
Gostava de ir para casa, mas hoje não sei onde fica.
Podia escrever outra coisa bonita cheia de metáforas sobre protozoários e tecidos fibrosados (assim), mas hoje não me apetece. Hoje não dá. Hoje não quero. Hoje não sei de nada. Hoje só quero ir para casa.
O problema dos nómadas é esse, as raízes levantam-se-lhes com muita facilidade, as tendas voam e os camelos fogem. Quero ir para casa. E que esteja sol, e que não haja malária.
Hoje não estou aqui, não vale a pena baterem à porta que não estou aqui. Ou então batam na mesma, e se eu abrir, agarrem-me e não me deixem fugir, que eu tenho umas contas a acertar comigo.

quarta-feira, junho 13, 2012

Os nomes das coisas

Comunicação.
Quando se fala em comunicação pensamos em escrever, em falar, em discussões por falta de comunicação, em comunicação social, e se tivermos imaginação ainda pensamos em comunicação gestual, braile e várias línguas, reflectimos que em todas as culturas humanas existe comunicação.
Sim senhor, mas quem disse que a comunicação tem que ser entre mais que uma pessoa? No liceu, em Filosofia, aprendia-se que a capacidade de ter pensamentos e reacções mediatas é o que nos distingue dos outros animais, e que esta capacidade vem do facto de termos conceitos. Como temos conceitos (linguagem), podemos formar pensamentos e raciocínios e desta forma compreender coisas por nós próprios. Então pensar é como que comunicar sozinhos utilizando conceitos pré-adquiridos. Por outro lado é-nos muito complicado compreender um raciocínio quando nos falta um dos conceitos envolvidos. Agora imaginemos que não sabemos sequer que existe linguagem. Imaginemos que somos surdos e cegos de nascença. Imaginemos o caos da nossa própria mente e a incompreensão em relação às regras e vidas dos outros. Imaginemos o caos. E agora imaginemos que eventualmente alguém nos consegue fazer compreender a linguagem, e de repente, formando conceitos sabemos onde estamos, onde estivemos ontem, o que temos nas mãos e o que pensamos disso tudo. Uma parte muito grande da psicologia foca-se nisto, porque como seria possível compreender o mundo e a nós próprios sem saber os nomes das coisas?



"w-a-t-e-r. It has a name!" - The Miracle Worker

Glass

"Ma petite Amélie, vous n'avez pas des os en verre. Vous pouvez vous cogner à la vraie vie. Si vous laissez passer cette chance, alors avec le temps, c'est votre coeur qui va devenir aussi sec et cassant que mon squelette. Alors, allez-y, nom d'un chien!"l'homme de verre - Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain

Glasses

Costumam perguntar-me se nunca me canso de metáforas. Não, nunca. O problema é quando elas se cansam de mim. Precisava de umas lentes de metáfora cor-de-rosa (ou de outra cor qualquer) pelas quais ler este capítulo, mas não as encontro. Na verdade até era melhor que fossem escuras, a verdade às vezes queima, faz arder os olhos. Eu tenho uns olhos muito sensíveis.


Diz-se que a verdade (ou era a beleza?) está nos olhos de quêm vê. O que é que acontece se "quem vê" mudar de óculos? A verdade muda? A verdade não muda. As nossas verdades é que mudam, e a verdade é que isso é muito mais relevante do que A verdade. É pena que eu não tenha mudado de óculos também... se calhar está na altura de fazer Lasik.



I am what you see when I think you're not looking. 



sábado, abril 14, 2012

Fuck, I say. Fuck.
Well, I had to say something.

terça-feira, novembro 23, 2010

Nómada

Há os que queriam vir e nunca vieram, há os que vieram mas continuaram lá, e há os que vieram e acabaram por ficar. Eu, como sempre, não me enquadro em nenhuma das categorias pré-definidas. Poder-se-ia dizer que me enquadro numa categoria de outra natureza, dos que se acham demasiado novos para saber o que querem, mas também não é exactamente isso. Vou explicar. Eu tenho uma casa portátil. E moro onde calha, mas moro sempre na minha casa. Moro onde ela estiver e ela vai onde eu for. De resto, neste momento já me desmamei q.b. do sul e ainda não me apaixonei o suficiente pelo centro nem por outra alternativa. Portanto, para já, moro onde calhar e já não é mau, desde que seja em casa.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Are we there yet?

No, not yet.
And now?
Nope, still here.
Are we at least moving?
Yup, but we got lost a few times, that's why its being slow.
Oh.
Hey, look, we just passed the 10 mile mark.
How much left?
50 miles...
Bah, still not moving.

Do they have any idea how hard it is to walk 10 miles?!

domingo, fevereiro 28, 2010

Get back inside the box!

Andava na primária. Vamos fazer um jogo, diz a professora. O "jogo" consistia em imaginarmos que tinham passado 20 anos, íamos na Rua de Sto. António (equivalente farense à Rua Augusta), e por coincidência nos cruzavamos com ela. Um a um, a professora "encontra" os antigos alunos e a pergunta repete-se: então, o que é que fazes agora? Médica, professora, engenheiro, veterinária, enfermeira... todas as profissões que eu conhecia repetidas por, pelo menos, 3 pessoas diferentes. Eu fiquei para o fim. Ah, tenho uma lojinha ali ao fundo (afinal, se fossemos todos médicos, não haveria emprego para todos, não é?)
O esgar, o riso, a pergunta. Ai é? Só isso? Não querias mais?
A minha Barbie era morena.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Peixinhos às voltas num aquário - revisited

Boa tarde, era um bilhete para o mundo onde só conhecemos um lado de cada história. Só têm até aos 12 anos? Ah... obrigada na mesma.

terça-feira, dezembro 29, 2009

Natal no país das Batatas

No país das batatas os gatos reproduzem-se na parte de trás das casas e escondem-se nas pedras dos muros das quintas. Por qualquer motivo que me transcende, são quase todos brancos.
No país das batatas, o almoço é ao meio-dia, e é cozinhado todo no mesmo tacho. As batatas são do quintal, o azeite é do lagar do sr. qualquer-coisa, o vinho "deixa cá ver como ficou este ano" e o queijo é do intermarché.
Os veterinários servem para vacinar vacas, médicos só indo à cidade.
Dá jeito saber ler para o banco não nos enganar e para ver as legendas da televisão.
No país das batatas não há cá éticas nem estéticas.
As batatas nascem da terra e as galinhas metem-se na canja e são bem boas.

Não estou a desdenhar desses sítios, mas eles desdenham de mim.
Eu só sei tocar piano e falar francês.

sábado, dezembro 19, 2009

Cheira a natal.
Cheira a quando eu era pequenina no verão, na casa de férias da minha tia-avó e me deram uma escova de dentes cor-de-rosa com um passarinho.
Cheira a verão.
Cheira à casa da minha avó, à casa dos meus pais, à casa da martina, à casa da costa, à casa de cabanas, à minha casa e à tua casa.
Cheira a batatas fritas. Outra vez.
Cheira à visita de estudo do 9º ano ao porto, naquela pensão que tinha pulgas e da qual mesmo assim iamos sendo expulsos.
Cheira a paris. (a micas cheira a paris)
Cheira a quando andávamos no ciclo e íamos no fim do verão ver as turmas e ficavamos horas a comer batatas fritas no papa 24 e a beber batidos e a dizer parvoíces. (o papa 24 cheira mal)
Cheira à minha gata. (a minha gata cheira a almofadas e cobertores fofinhos)
A minha almofada cheira a ti. (em lisboa, aqui não)

sábado, novembro 07, 2009

A verdade sobre a Cinderella

Toda a gente conhece a história. O que muita gente não sabe é que a Disney adulterou quase todas as histórias (basta comparar a pequena sereia da Disney com a pequena sereia original de Hans Christian Andersen).

A verdade sobre a Cinderella é que as irmãs não eram más para ela por ela ser mais bonita do que elas (ela nem era bonita); elas eram más porque simplesmente se sentiam importantes ao serem más. E eu nunca vi ratinhos cantar. Os ratinhos estavam simplesmente lá e faziam-lhe companhia quando ela se sentia triste.
Quem cantava eram as irmãs e a madrasta. Faziam uma rodinha à volta dela e cantavam coisas maldosas.
E nada disto tinha nada a ver com o príncipe, aliás, não havia príncipe nenhum.
O que aconteceu, foi que um dia de facto apareceu a fada madrinha e deu à Cinderella um vestido bonito e uns sapatos a condizer. Fez-lhe crescer o cabelo, lavou-lhe a cara com pózinhos mágicos, destrancou a porta e transformou a madrasta e as irmãs em sapos.
Assim que se apanhou de porta aberta (e agora que não tinha vergonha de ser vista na rua), a Cinderella fugiu e foi para uma terra muito, muito longe, onde ninguém soubesse quem ela tinha sido, nem o que as irmãs lhe tinham feito.
Nessa terra (aí sim) havia um príncipe, que ao vê-la (agora sim) tão bonita, se apaixonou por ela.
Então a Cinderella casou com o príncipe e dedicou o resto da vida à medicina veterinária em memória aos ratinhos que tinham estado sempre lá para ela na maldita casa da madrasta.

segunda-feira, julho 13, 2009

Verão

"Nunca sabemos à partida qual é a última vez que vamos estar com alguém, e no fundo, essa vez não é diferente de todas as outras despedidas temporárias; simplesmente permanece eternizada como a última vez.
Mostrei o meu mais largo e genuíno sorriso, enquanto cruzei o olhar com a minha Primavera pela última vez."