quarta-feira, junho 13, 2012
Os nomes das coisas
Quando se fala em comunicação pensamos em escrever, em falar, em discussões por falta de comunicação, em comunicação social, e se tivermos imaginação ainda pensamos em comunicação gestual, braile e várias línguas, reflectimos que em todas as culturas humanas existe comunicação.
Sim senhor, mas quem disse que a comunicação tem que ser entre mais que uma pessoa? No liceu, em Filosofia, aprendia-se que a capacidade de ter pensamentos e reacções mediatas é o que nos distingue dos outros animais, e que esta capacidade vem do facto de termos conceitos. Como temos conceitos (linguagem), podemos formar pensamentos e raciocínios e desta forma compreender coisas por nós próprios. Então pensar é como que comunicar sozinhos utilizando conceitos pré-adquiridos. Por outro lado é-nos muito complicado compreender um raciocínio quando nos falta um dos conceitos envolvidos. Agora imaginemos que não sabemos sequer que existe linguagem. Imaginemos que somos surdos e cegos de nascença. Imaginemos o caos da nossa própria mente e a incompreensão em relação às regras e vidas dos outros. Imaginemos o caos. E agora imaginemos que eventualmente alguém nos consegue fazer compreender a linguagem, e de repente, formando conceitos sabemos onde estamos, onde estivemos ontem, o que temos nas mãos e o que pensamos disso tudo. Uma parte muito grande da psicologia foca-se nisto, porque como seria possível compreender o mundo e a nós próprios sem saber os nomes das coisas?
"w-a-t-e-r. It has a name!" - The Miracle Worker
Glass
Glasses
Diz-se que a verdade (ou era a beleza?) está nos olhos de quêm vê. O que é que acontece se "quem vê" mudar de óculos? A verdade muda? A verdade não muda. As nossas verdades é que mudam, e a verdade é que isso é muito mais relevante do que A verdade. É pena que eu não tenha mudado de óculos também... se calhar está na altura de fazer Lasik.
I am what you see when I think you're not looking.
sábado, abril 14, 2012
terça-feira, novembro 23, 2010
Nómada
terça-feira, novembro 02, 2010
quinta-feira, outubro 28, 2010
Are we there yet?
And now?
Nope, still here.
Are we at least moving?
Yup, but we got lost a few times, that's why its being slow.
Oh.
Hey, look, we just passed the 10 mile mark.
How much left?
50 miles...
Bah, still not moving.
Do they have any idea how hard it is to walk 10 miles?!
domingo, fevereiro 28, 2010
Get back inside the box!
O esgar, o riso, a pergunta. Ai é? Só isso? Não querias mais?
A minha Barbie era morena.
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Peixinhos às voltas num aquário - revisited
terça-feira, dezembro 29, 2009
Natal no país das Batatas
No país das batatas, o almoço é ao meio-dia, e é cozinhado todo no mesmo tacho. As batatas são do quintal, o azeite é do lagar do sr. qualquer-coisa, o vinho "deixa cá ver como ficou este ano" e o queijo é do intermarché.
Os veterinários servem para vacinar vacas, médicos só indo à cidade.
Dá jeito saber ler para o banco não nos enganar e para ver as legendas da televisão.
No país das batatas não há cá éticas nem estéticas.
As batatas nascem da terra e as galinhas metem-se na canja e são bem boas.
Não estou a desdenhar desses sítios, mas eles desdenham de mim.
Eu só sei tocar piano e falar francês.
sábado, dezembro 19, 2009
Cheira a quando eu era pequenina no verão, na casa de férias da minha tia-avó e me deram uma escova de dentes cor-de-rosa com um passarinho.
Cheira a verão.
Cheira à casa da minha avó, à casa dos meus pais, à casa da martina, à casa da costa, à casa de cabanas, à minha casa e à tua casa.
Cheira a batatas fritas. Outra vez.
Cheira à visita de estudo do 9º ano ao porto, naquela pensão que tinha pulgas e da qual mesmo assim iamos sendo expulsos.
Cheira a paris. (a micas cheira a paris)
Cheira a quando andávamos no ciclo e íamos no fim do verão ver as turmas e ficavamos horas a comer batatas fritas no papa 24 e a beber batidos e a dizer parvoíces. (o papa 24 cheira mal)
Cheira à minha gata. (a minha gata cheira a almofadas e cobertores fofinhos)
A minha almofada cheira a ti. (em lisboa, aqui não)
sábado, novembro 07, 2009
A verdade sobre a Cinderella
A verdade sobre a Cinderella é que as irmãs não eram más para ela por ela ser mais bonita do que elas (ela nem era bonita); elas eram más porque simplesmente se sentiam importantes ao serem más. E eu nunca vi ratinhos cantar. Os ratinhos estavam simplesmente lá e faziam-lhe companhia quando ela se sentia triste.
Quem cantava eram as irmãs e a madrasta. Faziam uma rodinha à volta dela e cantavam coisas maldosas.
E nada disto tinha nada a ver com o príncipe, aliás, não havia príncipe nenhum.
O que aconteceu, foi que um dia de facto apareceu a fada madrinha e deu à Cinderella um vestido bonito e uns sapatos a condizer. Fez-lhe crescer o cabelo, lavou-lhe a cara com pózinhos mágicos, destrancou a porta e transformou a madrasta e as irmãs em sapos.
Assim que se apanhou de porta aberta (e agora que não tinha vergonha de ser vista na rua), a Cinderella fugiu e foi para uma terra muito, muito longe, onde ninguém soubesse quem ela tinha sido, nem o que as irmãs lhe tinham feito.
Nessa terra (aí sim) havia um príncipe, que ao vê-la (agora sim) tão bonita, se apaixonou por ela.
Então a Cinderella casou com o príncipe e dedicou o resto da vida à medicina veterinária em memória aos ratinhos que tinham estado sempre lá para ela na maldita casa da madrasta.
segunda-feira, julho 13, 2009
Verão
"Nunca sabemos à partida qual é a última vez que vamos estar com alguém, e no fundo, essa vez não é diferente de todas as outras despedidas temporárias; simplesmente permanece eternizada como a última vez.Mostrei o meu mais largo e genuíno sorriso, enquanto cruzei o olhar com a minha Primavera pela última vez."
terça-feira, maio 12, 2009
quinta-feira, outubro 23, 2008
Rebuçados azuis
quinta-feira, maio 01, 2008
Handicap
É esta a minha desculpa para encher o meu buraco de citações e transcrições quando as coisas não correm da maneira certa para eu saber escrever.
Talvez um bocadinho à maneira do coisasaleatorias, mas de modo a que, para mim, não sejam aleatórias.
Retrato de uma princesa desconhecida
Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos
Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino
Sophia de Mello Breyner
terça-feira, abril 29, 2008
O médico olhou para mim, examino-me assim por alto como quem tem pressa de ir para casa e disse que eu estava muito doente. A partir desse dia passou a doer-me e tive febre.
